A justificativa da agência global de avaliação de risco Standard & Poor’s para retirar o grau de investimento do Brasil: – “o país não mostrou capacidade e nem vontade para tomar as medidas para resolver os problemas” -, evidencia o altíssimo custo da incompetência na condução do serviço público brasileiro.
Os juros pagos pelos títulos do Brasil no exterior, públicos ou privados, aumentarão e puxarão as taxas internas, acentuando as perspectivas de recessão.
A condenável roubalheira na Petrobrás (R$ 6 bilhões), revelada pela Operação Lava Jato, causa bem menos prejuízos aos brasileiros do que os erros nos projetos da petroleira e na ineficiência na condução destes (R$ 44 bilhões), segundo balanço auditado em abril deste ano.
Em artigos anteriores, opinei que os incompetentes, da mesma forma que os ladrões do dinheiro público, deveriam, também, ser presos e devolver o dinheiro público desperdiçado.
Eles contribuem, muito mais que os outros ladrões, para que “o dinheiro dos cinco meses de trabalho por ano, de cada brasileiro, drenado via impostos – que deveria ir para saúde, educação, segurança, infraestrutura e outros – seja consumido sem proveito”.
Ilustrei, com o escabroso caso da ponte de Congonhas, em Tubarão. Carpinteiros construíram a anterior, que durou quase 30 anos, com alguns eucaliptos, barras de ferro, palanchões e pregos. A próxima – mesmo sendo de concreto e com duas pistas – está em construção há quase dois anos, com trapalhadas nos projetos (o primeiro ficou menor que o espaço da ponte e o segundo não previu o impacto do aterro na estrutura) e custo estimado de R$ 1,7 milhão.
O esfolado contribuinte paga, também, as mencionadas trapalhadas e o encarecimento de produtos e serviços, que por não poderem fazer aquela travessia de apenas 68 metros, fazem percurso maior. Pelo mesmo motivo a região praieira perde investimentos.
Ilustrei, também, com o fechamento da escola João 23, mesmo com a denúncia do IBGE, que há, em Tubarão, 1.203 adolescentes e jovens, em idade escolar, fora da escola.
Mesmo quem é minimamente informado sabe que crianças e adolescentes fora da escola terão poucas oportunidades no mercado de trabalho e maior propensão a serem vítimas ou autoras da violência que desassossega a todos, de forma crescente.
O contribuinte não pode prender os incompetentes e os ladrões e reaver o dinheiro público por eles desperdiçado ou roubado, mas pode trocar os que os indicam: os eleitos.
Quer dizer: o contribuinte escolhe, por meio do voto direto e secreto da maioria, quem bem lhe representa e quem rouba ou desperdiça o seu dinheiro. Se não lembrar disto antes de votar, pagará – se puder – a altíssima conta.

